quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Porquê Dr. Savimbi Fundou a UNITA

Carlos Tiago Kandanda Na comemoração do 10º aniversário da morte, no combate, do Dr. Jonas Malheiro Savimbi, a UNITA realizou o Workshop no Hotel Trópico, em Luanda, onde se dissertou sobre a vida e a obra deste grande figura do século contemporâneo. O Workshop foi bem concorrido, com a participação de muitas personalidades, quadros intelectuais e jovens estudantis. Sendo como prelectores: Dr. João Soares (Portugal), Yves René Paul Loiseau (França), Dr.ª Antónia Palla (Portugal), Dr.ª Maria João S. de Lemos (Portugal), Gen. Samuel José Chiwale (Co-fundador da UNITA), Dr. José Pedro Kachiungo (Ex-Embaixador da UNITA em Portugal) e Gen. Carlos Tiago Kandanda (Ex-Embaixador da UNITA na Alemanha). Os Moderadores do Workshop: Dr. Alcides Sakala Simões, Dr.ª Albertina Navemba Ngolo e Sr.ª Marta Solange Filipe Bela. Portanto, achei interessante partilhar com o público, que não teve a oportunidade de participar neste evento histórico, a minha dissertação, intitulada: Porquê Dr. Savimbi Fundou a UNITA? I. Introdução A fundação da UNITA sucedeu na altura em que já existiam dois Movimentos de Libertação Nacional, designadamente, UPA/FNLA e MPLA. Nesta altura o Dr. Jonas Malheiro Savimbi tivera entabulado contactos com os ambos Movimentos. Juntou-se à FNLA e exerceu os Cargos de Secretario Geral deste Movimento e do Ministro das Relações Exteriores do Governo Angolano no Exílio (GRAE). Quando deixou o GRAE e a FNLA tivera aproximado os dirigentes do MPLA. No fim desta movimentação, Dr. Jonas Malheiro Savimbi chegara a conclusão de que era pertinente buscar a terceira alternativa. Foi nestes moldes em que vinha nascer a União Nacional Para a Independência Total de Angola (UNITA), no dia 13 de Março de 1966, na localidade de Muangai, na Província do Moxico. II. Os Factores Fundamentais da Fundação da UNITA Na qualidade de Quadro douto e clarividente, antes de entabular contactos com os dirigentes dos dois Movimentos, Dr. Jonas Malheiro Savimbi já tinha uma certa visão de como que a luta de libertação nacional devia ser conduzida. Os contactos havidos com os dois Movimentos e a experiencia adquirida com a FNLA, deu-lhe o panorama da situação concreta e especifica de cada um deles. Enquanto em Kinshasa tinha dados palpáveis sobre a luta do MPLA no Brazzaville, através da Ponte Negra, onde se encontrava a Base Militar deste Movimento. A partir dali decidira buscar uma alternativa mais eficaz com fim de encetar um combate sério, dentro do país, contra a Colonização Portuguesa. De forma resumida, destacam-se alguns factores principais que estiveram na base da fundação da UNITA: 1. Angolanidade como o fundamento e instrumento principal da luta de libertação nacional. 2. Apoiar-se nas Próprias Forças como factor determinante da luta de libertação nacional. 3. Direcção Politica no Interior do País. 4. Métodos de lutas: Guerra de Guerrilha. Guerra Urbana? O Papel da Diplomacia e do Marketing Politico. 5. Bases de Apoios nas Terras Livres. As Bases Militares no Exterior. 1) “Qual é o fundamento e instrumento de luta: A Angolanidade assente no indigenato? Ou, o Elitismo baseado na Classe Burguesa?” O Dr. Jonas Malheiro Savimbi e outros Quadros Angolanos que se encontravam no Estrangeiro, na altura, eram de convicção de que, os Quadros angolanos, “natos”, deviam assumir a Vanguarda de luta de libertação nacional. Buscando não somente o protagonismo, mas sim, a defesa intransigente e escrupulosa da Angolanidade. Pois, a população indígena deve servir de baluarte da luta política e militar contra o colonialismo português. O facto da população do país ser composta por maioria de indígenas bantos; sendo igualmente a classe mais desfavorecida e oprimida, era então imperativo que este estrato social ganhasse a consciência de si próprio, isto é, da sua condição cultural, social e económica, no sentido de se libertar do obscurantismo, da servidão e da segregação cultural, social e racial. Neste respeito, existia uma outra escola de pensamento que se baseava no elitismo burguês sob a capa do internacionalismo proletário. Nesta altura, a classe pequeno-burguesa era diminuta na sociedade angolana e os quadros nativos tinham pouco acesso. A estratificação social do regime colonial excluía os indígenas desta categoria que continha regalias bem definidas. Logo, uma teoria libertadora assente no elitismo burguês, logo de partida dava vantagens às comunidades minoritárias de afirmar a sua supremacia política sobre a maioria. Um cenário que levaria o país ao poder minoritário e neo-colonial. Esta realidade prevista naquela época tornou-se uma verdade hoje. Pois, os angolanos, no dia de hoje, estão na realidade cada vez mais afastados dos poderes político, financeiro e económico. Se a situação actual é esta, o que seria se a UNITA não existisse, não defendesse a Angolanidade baseada na igualdade e na valorização da cultura bantu? Suponhamos, o MPLA estivesse sozinho, apostando, como tem vindo a fazer, na transformação e no enraizamento do “crioulismo burguês” com uma tónica anti-bantu. Angola não estaria na senda do sistema do poder minoritário austero e segregacionista, parecido com Apartheid da África do Sul, do então? Seria possível instituir o sistema democrático multipartidário cuja transformação custou muito sangue e continua a ser ainda uma meta por conquistar? 2) “O princípio de se apoiar essencialmente no angolano como factor primordial da luta pela independência nacional. Sem, no entanto, descurar o auxilio externo” Óbvio, o princípio de “apoiar-se nas próprias forças”, na força indomável do angolano de se libertar do jugo colonial, não só era o cerne, mas sim, o ponto de partida e o ponto de chegada da filosofia política do Dr. Savimbi. Logo do inicio, ele defendia com todo vigor e intransigência a primazia do factor interno. Os apoios externos são elementos suplementares, não devem condicionar nem suplantar o angolano como factor chave da descolonização. Quanto ao Dr. Savimbi, o internacionalismo proletário ou o Movimento dos Não-Alinhados eram apenas considerados como fóruns apropriados de concertação e de solidariedade política dos povos oprimidos e colonizados do Mundo contra o jugo das potências coloniais. Porém, esses espaços multilaterais, nunca deviam transformar-se em instrumentos principais de luta, condicionando e assumindo o protagonismo sobre o nacionalismo angolano e o pan-africanismo. As Amizades e Alianças Externas são imperativas e de importância capital na luta dos povos oprimidos. Todavia, não deviam, nem podiam ditar a sua vontade política ou exercer a sua supremacia sobre os destinos dos povos colonizados e escravizados. Para o Jonas Savimbi, Angolanidade é sacrossanta, intocável, inviolável e indomesticável. Ela está acima de tudo e tem a prioridade absoluta. Como ele dizia: Primeiro Angolano; Segundo Angolano; Terceiro Angolano. Angolano Sempre! Na época, havia uma inclinação demasiada aos apoios externos com algumas cláusulas que punham em causa o futuro do país. Esta inclinação tivera transformando-se numa condição sine qua non da luta de libertação nacional. Esta politica, de dependência excessiva aos factores externos, não só afrouxava a dinâmica da luta no interior do país, mas era o prenúncio evidente do neocolonialismo. Já na época, a subalternização da Angolanidade era evidente. 3)“A direcção política deve fixar-se no interior do país junto das populações locais, dos quadros, dos comandantes e da tropa. Em vez de instalar-se no exílio.” Dr. Jonas Malheiro Savimbi, com as experiencias adquiridas em Kinshasa, Brazzaville, Lusaka, Dar-es-Salam, Cairo, Tunis, Algers e Konakry, onde residiam os nacionalistas angolanos, entendia que nos moldes do exílio, a luta não teria a pujança para pressionar e derrotar o Regime colonial. Dr. Savimbi apercebera que era fundamental e urgente instalar as Direcções Políticas no interior do País. Os Quadros intelectuais deviam ficar no interior para organizar, estruturar e conduzir a luta de libertação nacional. Era imperativo mobilizar e consciencializar a população. Este trabalho é dos dirigentes políticos que devem estar junto da população como núcleo condutor. Nesta altura, o Presidente Holden Roberto e o Presidente Dr. António Agostinho Neto, como dirigentes máximos da FNLA e do MPLA, respectivamente, se encontravam no Exterior do País. Nenhum deles estava disponível para mobilizar os quadros dirigentes e instalar-se no país junto da população local. Dr. Savimbi suplicava esta posição insistentemente junto do Presidente Holden Roberto, mas em vão. Da mesma forma que fizera com o Presidente Neto, mas não serviu de nada. Nesta questão precisa, Dr. Savimbi, além de tudo, notava uma grande fragilidade na cadeia de comando e na leitura da situação real e concreta das frentes do combate. As Direcções Políticas dependiam de dados soltos e de relatórios ultrapassados pelos acontecimentos no terreno. Visto que, não havia o sistema de comunicação rápido e eficiente para manter uma coordenação eficaz. Acima disso, as Direcções Políticas tinham dificuldades enormes de imprimir, de forma coerente, a linha política e ideológica do Movimento nas estruturas políticas e militares no interior do país. Isso resultava em descompasso e em desvios da Doutrina do Movimento. As Direcções Partidárias não tinham igualmente Autoridades efectivas sobre os Homens, nas frentes, de modo a reforçar a coesão e a lealdade política. O 27 de Maio, no seio do MPLA, foi o resultado de três factores fundamentais: a) A Visão contraditória da Revolução entre o MPLA do Exterior e o MPLA do Interior. b) A luta do Poder entre a Direcção Política do Exterior e a Direcção Político-militar das Regiões Militares. c) As características sociais (comportamentos) distintas das duas alas. Devido o facto de que, as Regiões Militares do MPLA eram autónomas e não possuíam um comando único dentro do país para assumir a coordenação efectiva. O contacto com a Direcção do Movimento no Brazzaville era difícil, arriscado e escasso. 4)“A Guerra de Guerrilha, a partir do Campo, seja o factor principal de luta. A luta urbana (clandestina), a diplomacia e a propaganda política sejam factores secundários e complementares.” Os métodos de luta foram o epicentro de desentendimentos entre Dr. Savimbi e os outros Mais Velhos. Enquanto ele acreditava e defendia a Guerra de Guerrilha, a partir das zonas rurais, comandada por dentro. Outros Dirigentes defendiam outras teorias, sendo: a) A Guerra de Guerrilha a partir das Bases Militares nos Países vizinhos do Congo Brazzavile (Ponte Noire); do Zaire (Kinkuzu) e da Zâmbia (Sikongo e Chavuma). Destas Bases, lançava-se grupos de guerrilhas para fazer incursões no interior. Esporadicamente os dirigentes políticos deslocavam-se aos Campos Militares junto das fronteiras com fim de tirar imagens para o consumo diplomático e propagandístico. b) A Guerra Urbana (clandestina), a partir de Luanda (sobretudo) como o “Eixo fulcral” da luta de libertação nacional. Esta teoria tinha muito a ver com o modelo da Revolução Russa, de Outubro. Nestas questões específicas, Dr. Savimbi achava que, as Bases Militares no Exterior sirvam apenas de estruturas de apoios para o encaminhamento da logística aos combatentes nas frentes do combate. Nas circunstancias do então, a Guerra Urbana seria eficaz e efectiva se fosse apoiada e orientada pela Direcção politica a partir das Bases de Apoios dos territórios libertados. Portanto, deve ser uma acção colateral e complementar à Guerra de Guerrilha que deve desenvolver-se gradualmente aos níveis mais elevados da estruturação militar. Portanto, o Dr. Jonas Malheiro Savimbi tinha uma impressão negativa em constatar dirigentes nacionalistas a passar todo tempo no exterior do país, nos fatos luxuosos, a desdobrar-se nas Chancelarias diplomáticas e nas conferências internacionais. Transformando-se gradualmente numa elite burguesa. Sem a noção exacta da situação do interior do país. Fazendo muito pouco para conduzir in locu a luta politica e armada. A boa parte de Apoios Externos não chegava o seu destino, aos combatentes no interior. Pelo contrário, eram desperdiçados lá fora. O fenómeno da assimilação que já tinha raízes fortes na sociedade angolana com a classificação distinta em termos social, cultural e racial, assumia o carácter político. Nesta altura, já eram previsíveis as divisões antagónicas que mais tarde sucederam no seio do MPLA, caracterizadas pela Revolta Activa, Revolta do Leste e a Ala do Dr. Agostinho Neto. A tragédia do 27 de Maio (entre os Quadros do Interior e do Exterior) foi o culminar deste fenómeno. Acima disso, havia o desinteresse notório de fazer a Guerra no Sul de Angola. Esta situação tinha a ver com o Caminho de Ferro de Benguela (CFB). Dado o facto de que, as Economias dos Países vizinhos, do Zaire e da Zâmbia dependia do CFB. A paralisação do CFB teria consequências nefastas sobre essas economias do enclave cujo Cobre escoava-se pelo Porto do Lobito. Portanto, toda acção contra o CFB significaria a declaração de hostilidades contra os países interessados. Alem disso, esta linha férrea era um dos principais interesses estratégicos das Potencias Ocidentais (Reino Unido, Bélgica, França, Portugal, EUA e Alemanha) na Região Subsaariana. O CFB, acima de tudo, desempenhava o papel estratégico na economia de Angola, na administração da colónia e na condução da Guerra. Atravessa todo país, da costa atlântica ao interior da África Central e Austral. Portanto, dos dois Mais Velhos, Holden Roberto e Dr. Agostinho Neto nenhum deles estava preparado para enfrentar sanções punitivas dos países vizinhos. Por este motivo, quando a UNITA implantou-se ao longo do CFB, ela foi logo banida da Zâmbia. Dr. Jonas Savimbi foi detido em Lusaka e expulso para o Cairo, no Egipto. Apesar disso, Dr. Jonas Malheiro Savimbi era de convicção inabalável de que, o CFB, o Porto do Lobito, o Planalto Central e o Leste eram factores estratégicos incontornáveis no xadrez geográfico, demográfico, económico, financeiro e militar da administração colonial portuguesa em Angola. Eram o pulmão da máquina de guerra do Dr. António de Oliveira Salazar. A descolonização e a liberdade de Angola passavam necessariamente por este espaço geoestratégico. Embora tenhamos o dever de solidariedade pan-africana com os nossos irmãos da Zâmbia e do Zaire, mas a independência de Angola era indiscutível. Salientava Dr. Savimbi. 5) “A criação de Bases de Apoios nas Terras Livres. Em vez de depender-se das Bases Militares instaladas no Exterior, como sustentáculos da luta de libertação.” De modo enérgico, Jonas Savimbi opunha-se frontalmente contra a Doutrina de Bases Militares no Exterior do País, como forma de luta armada contra o Exercito Colonial Português. Em contraste, ele defendia a criação de Bases de Apoios no Interior do País, num território libertado. A Visão doutrinária do Dr. Savimbi consistia na libertação de um espaço geográfico com a população local, no qual estaria sedeado a Direcção político-militar do Movimento de Libertação, com as seguintes tarefas principais: a) A Coordenação do Movimento de Libertação e do Comando da Guerra. b) A organização das estruturas partidárias. c) A mobilização da população local e a expansão da acção política ao país inteiro. d) A organização da administração local, dos serviços de saúde, da educação, do ensino e de alfabetização. e) O fomento da agricultura nas terras libertadas. f) A organização e gestão da logística. g) O recrutamento, treino e formação de unidades de guerrilhas. h) O recrutamento e formação de Quadros político-militares. i) A preparação e lançamento de células clandestinas aos centros urbanos. j) A realização de congressos, conferencias, seminários e workshops. k) A promoção da diplomacia e do marketing político através de visitas de personalidades estrangeiras e de jornalistas. Esta Filosofia, de Bases de Apoios, estava enraizada na experiencia da Revolução Chinesa, de libertar o País por dentro, a partir do Campo para as Cidades – de modo paulatino e gradual. Esta Doutrina contrariava a Revolução Russa, de Outubro, adoptada pelo MPLA. Este modelo consistia na tomada da Capital, a partir de Luanda. Dali, expandir-se-á para o restante do País. Essas Visões estratégicas chocavam-se frontalmente, tendo em conta a realidade de Angola da era contemporânea. Hoje, na realidade actual, torna-se mais fácil entender o cerne da contradição. A maior parte dos dirigentes fundadores do MPLA eram de Luanda que tinham um conhecimento muito limitado do interior do País. A Angola profunda, na sua essência sociocultural, era um espaço geocultural desconhecido por muitos dos quadros do litoral. Portanto, o modelo da Revolução de Outubro, da luta urbana, estava dentro do alcance da sua imaginação intelectual. Por isso, mesmo hoje, o preconceito,“luanda-centrico”, ainda exerce uma maior influência sobre a concepção do país e o modelo do desenvolvimento. Se não vejamos! Mais de 80% do Orçamento Geral do Estado (OGE) é investido em Luanda. Isso explica igualmente a prevalência da classificação do interior do país como sendo, “Mato”, cujos povos são tratados de sulanos, bailundos, gentios, matumbos, primitivos e atrasados. A desvalorização das capacidades das populações rurais tivera sido o maior handicap dos dirigentes do litoral, sobretudo de Luanda, na avaliação da potencialidade da guerra de guerrilha e da lealdade política dos camponeses em assegurar a integridade física e moral dos dirigentes políticos nos seus territórios. Era difícil acreditar na dignidade humana e na igualdade entre as diversas comunidades da sociedade angolana. Pois que, a alienação colonial baseada na politica de assimilação e do indigenato, criara durante séculos o espírito antagónico e de desumanização da cultura bantu. Por isso, a identidade cultural dos Povos do Litoral, do Norte e do Sul, na equação política, foram uns dos factores fundamentais da adversidade filosófica do nacionalismo angolano. O regime colonial incutira esta noção de desigualdade sociocultural nas mentes dos africanos como forma de dividir e melhor reinar. O fenómeno da adversidade sociocultural verifica-se em todos países africanos. Mas, o grau da sua manifestação depende da realidade concreta de cada país; da cultura politica da ex-potencia colonial e da habilidade das elites politicas em lidar com este fenómeno. Dr. Jonas Savimbi viveu este fenómeno da desigualdade e do desequilíbrio sociocultural com maior intensidade e amargura. Acreditava que, a luta anti-colonial deve servir igualmente de instrumento da transformação sociocultural para extirpar da sociedade angolana os preconceitos erróneos da política colonial de assimilação e do indigenato. III. Conclusões De modo resumido, sem margem para dúvida, Dr. Jonas Malheiro Savimbi era um afrocentrico e de cultura bantu; ele opunha-se frontalmente a subalternização da angolanidade; não acreditava no internacionalismo proletário; classificava amizades e alianças externas como sendo imperativas mas não condicionantes. Mais Velho Jonas desafiava a cultura de assimilação e do indigenato; detestava a classificação do “Mato” e seus adjectivos; pugnava pela dignidade humana e igualdade sociocultural; reprovava a tendência elitista e o individualismo burguês; repugnava com veemência a corrupção; não alimentava o tráfico de influências e o nepotismo; combatia firmemente o tribalismo, o racismo e o regionalismo; era militante acérrimo da negritude libertadora. Ele exigia a presença dos dirigentes políticos no interior; acreditava na guerra de guerrilha como factor principal de luta; erguer bases de apoios dentro do território; não depender de bases militares no exterior; a luta urbana (clandestina) e a diplomacia serem factores secundários e complementares; entre os três dirigentes dos Movimentos de libertação, ele foi o único que viveu com as massas e emergiu das terras livres do Lunguébungo para negociar o cessar-fogo com o Movimento das Forças Armadas Português, em 1974. Presidente fundador, Dr. Savimbi, abraçava o Socialismo de matriz africano e de cariz democrático; tinha aliados conservadores da direita; mas ele pugnava pela esquerda; defendia o fomento rural como factor primordial do desenvolvimento sustentado e equilibrado; evitar a litoralização da economia; combater as assimetrias regionais; afirmar angolanidade em todos domínios da vida do Estado. Enfim, a sua Causa estava intrinsecamente ligada a defesa intransigente da Angolanidade pela qual derramou heroicamente o seu sangue, no combate. Dr. Savimbi acreditava sem reserva, na liberdade, como o alicerce da dignidade humana e da igualdade política e económica de todos Angolanos. Neste respeito, ele afirmava nos seguintes termos: “A razão da nossa luta é criar condições, na liberdade, para que a nação que se aproveite dos mais capacitados para lançar mãos e ajudar os menos equipados”. Conecta: http: baolinangua.blogspot.com Luanda, 22 de Fevereiro de 2012

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